Gerson Penna

Dr. Eduardo Hage é inequivocamente – um servidor público no sentido mais literal de servir. Construiu sua careira sob os pilares sólidos de sua formação acadêmica no Instituto de Saúde Coletiva na UFBA. A aplicação de sua formação foi servindo, sob diversas formas, em instituições públicas nacionais e internacionais deixando a masca da competência e probidade em suas posições e decisões que, em muito, vem ajudando na promoção e na assistência à saúde de centenas de milhares de seres humanos mundo afora.
Que Dr. Eduardo Hage, em respeito a presunção de inocência, seja libertado e adote as providências de sua defesa no restabelecimento de homem público honrado que sempre foi.

Paulo Gadelha

ex-presidente da Fiocruz
Acompanho há muitos anos a atuação de Eduardo Hage, sempre marcada pela excelência profissional, compromisso social e elevado padrão ético. Mais recentemente, estamos associados pela causa comum do desenvolvimento sustentável e da Agenda 2030 e minha admiração por Eduardo se consolida pela solidez de seus conhecimentos, generosidade e desprendimento de vaidades. Estamos indignados com essa violência contra Eduardo, que é extensiva a todo um coletivo da saúde pública.

Draurio Barreira

Apoio e solidariedade a Eduardo Hage

Sentei-me para escrever uma carta de apoio e defesa de Eduardo Hage. Ao iniciar a tarefa dei-me conta de que não se pode defender alguém que não é acusado de nada, prática que lamentavelmente parece tornar-se rotina intimidatória contra pessoas de ilibada trajetória profissional e ética.

Ao desconhecer do que Eduardo é acusado, não há do que defendê-lo, o que me parece óbvio, pois muito me surpreenderia saber de algum ato ilícito praticado por ele.

Desta forma, atenho-me a apoiá-lo contra mais um descabido ato autoritário que infelizmente tem se tornado comum nesse país que em determinado momento decidiu que na sociedade só existem dois tipos de pessoas: os nossos amigos e os “outros”. Não há mais espaço para a Justiça, para a Ética, para a Honestidade, para o compromisso com a coisa pública, sequer para com a Saúde Pública, pois parte dividida da sociedade verá esses valores, antes comuns e universais, como propriedade exclusiva de seus amigos.

Conheço Eduardo há pouco mais de 20 anos, trabalhamos juntos na Secretaria de Vigilância do Ministério da Saúde, viajamos juntos, sempre compartilhando sua experiência e reconhecida competência em foros nacionais e internacionais. Eduardo é uma referência em regulamento sanitário internacional, tema, dentre outros, em que tem contribuido com a Organização Mundial da Saúde. Em boa parte desse tempo tive Eduardo como chefe. Aprendi a respeitá-lo e admirá-lo pelo simples fato de conviver e trabalhar com ele. Sua atuação profissional é um exemplo de serenidade, competência, respeito e ética.

Mesmo desconhecendo a acusação contra Eduardo Hage, sabemos que a prisão preventiva destina-se a crimes inafiançáveis, dolosos em que hajam provas ou que envolvam violência doméstica e familiar. Conhecendo-o há mais de 20 anos duvido que a acusação preencha qualquer desses critérios.

Do que acusam Eduardo Hage?

Essa é apenas uma das muitas perguntas que circulam sem resposta nesses tempos sombrios em que vivemos.

Draurio Barreira

Consultor sênior da OMS para tuberculose

Maurício Barreto

Como Professor Permanente do Programa de Pos-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia, tive o prazer de ser o Orientador de Eduardo Hage durante os cursos de Mestrado e Doutorado, na década de 1990. Neste período do seu desenvolvimento acadêmico e pessoal, tive a oportunidade de acompanhá-lo com muita proximidade e verificar sua sólida formação intelectual e moral. Seu desempenho nestes dois cursos se deu com brilhantismo e destaque. Sua mente intelectualmente aguçada, porém com grande senso de busca de aplicação do conhecimento, o conduziu à opção de colocar seus esforços a serviço da Saúde Pública no SUS ao invés de seguir carreira estritamente acadêmica. Deste então, acompanho, com grande orgulho e admiração, sua brilhante trajetória profissional. No pais, destacou-se pelas várias importantes posições que ocupou e acima de tudo pelas contribuições que deu, a exemplo da sua atuação técnico-científica na indicação e condução das ações de contenção da epidemia de gripe H1N1 em 2009-10, quando liderou a implantação das medidas de controle, nacionalmente. Estes esforços fizeram Eduardo ser reconhecido no cenário internacionale tendo participado de vários Comitês e Grupos de Trabalho como especialista de reputação internacional em doenças infecciosas e controle de emergências de Saúde Pública. Destacaria a sua participação no Comitê de Revisão do Regulamento Sanitário Internacional da Organização Mundial da Saúde, peça chave para o controle de epidemias e outros eventos de saúde de importância supra-nacionais. No ano passado, passou a compor, ao lado de outros grandes especialistas internacionais, a Comissão do ‘Lancet Infectious Diseases’ de preparação e respostas para ameaças epidêmicas emergentes.
Em síntese, Eduardo vem dedicando a sua vida profissional para dar imensas contribuições no que tange à saúde da população brasileira. Sinceramente, acredito que o ocorrido na manhã de ontem (25/08/2020) encontra-se no grupo dos episódios de mal-entendidos, o qual rogo para que seja imediatamente elucidado e Eduardo tenha a sua liberdade e seus direitos plenamente restaurados.

Maurício Barreto, médico, Prof Emérito da UFBA, Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Mundial de Ciências.